Em nova entrevista para Wonderland Magazine , Joseph Quinn falou sobre o sucesso de Eddie Munson em Stranger Things, seu novo filme, e sobre seu futuro na indústria.

Confira a entrevista completa:

Desde que se juntou a Stranger Things 4, o mundo de Joseph Quinn virou de cabeça pra baixo. Conversando com Erica Rana, o ator reflete em sua realidade agitada, namoro e preciosas lições aprendidas com Olivia Colman.

Em uma aparente segunda-feira comum, Joseph Quinn e eu nos encontramos refletindo sobre experiências desafortunadas em Londres. “Eu não acho que possa usar o Hinge (aplicativo de relacionamento) mais.” A estrela em ascensão de Stranger Things ri. Garantido, esse não é o foco de uma entrevista qualquer. “Ouvi dizer que eu era um cara desses aplicativos. Eu acho que é terrível para nós. Eu acho que ser constantemente lembrado de que há outras pessoas por aí tornam elas dispensáveis pra nós – eu não recomendo. Mas aí é bem difícil conhecer pessoas na cidade também.”


Essa é uma confissão surpreendente de Quinn, que quebrou a internet – algumas vezes – desde estrelar na 4 temporada de Stranger Things como o amável master de Dungeons & Dragons, Eddie Munson. Um personagem com grande coração e um desenvolvimento emocional complexo trouxe profundidade para a série de sucesso baseada nos anos 80 que ficou em #1 lugar em 91 países nos rankings da Netflix, a primeira série em inglês a ter esse feito. Então, se Quinn está achando a batalha que chamam de amor mais difícil do que espantar uma gangue de Demobats raivosos – Deus ajude a todos nós.

Assim como sua morte pelas mãos das criaturas previamente citadas, a cena de apresentação de Munson na série passou longe de despercebida. Na cena vimos ele subir na mesa do refeitório com uma angústia diabólica, de praxe, seu efeito nos telespectadores foi inevitável. Mas, esse efeito rapidamente se tornou uma avalanche de um fenômeno muito acima das expectativas do ator de 28 anos. E até dos criadores do show, Os Irmãos Duffer. “Nós não sabíamos da dimensão do papel nem se todas as cenas que gravei estariam na série. Eu fiz a audição com a primeira cena do refeitório, a cena com a Chrissy na floresta e mais tarde onde todo mundo me acha depois do ‘assasinato’ – nós meio que estávamos tentando entender a dimensão do papel primeiro para depois pegarmos o roteiro inteiro. Acabou que era um papel lindamente escrito. Eu fiquei bastante chocado e ainda estou bastante chocado.” Ele compartilha humildemente.

É completamente diferente de qualquer coisa que eu tenha vivido antes, eu não sei ao certo o que é sobre essa temporada. Acho que foi uma verdadeira comprovação do objetivo. Eu acho que os Irmãos (Duffer) estão ficando cada vez melhores , e a habilidade deles de manter essas três histórias em uma enquanto mantém tudo interessante e a audiência entretida, é um grande feito como escritores. E o alcance que isso teve; o carinho e atenção que eles ainda tiveram pela temporada é perceptível através da tela. Houve uma pausa muito grande desde a última temporada, acho que isso deixou as pessoas sedentas pelo novo, especialmente os mais novos. É a tempestade perfeita de uma histeria pós-COVID e essa chegada maluca do TikTok. Tem sido insano.

Quinn me garante que ainda está tocado com todo o carinho recebido – por mais difícil que seja compreender tudo isso – “Eu estava em Roma recentemente e vi essas duas criancinhas com seus pais. Um deles eu acho que tinha 8 anos e o outro 10. Então eu pensei, ‘Eles são novos demais pra assistir a série porque é muito assustador!’ Mas tipo, eles estavam usando camisetas do Hellfire.

Ele explica quando eu conto pra ele sobre os meus próprios encontros com camisetas do Hellfire, duas na semana em que seria sua entrevista. “Eu acho que andar por aí no momento parece muito estranho, então eu definitivamente não estou tentando chamar nenhuma atenção pra mim mesmo.” Ele diz com um pouco de hesitação em sua voz. “Mas, eu basicamente tirei meu chapéu e meus óculos de sol e olhei para eles e eles meio que começaram a chorar. Eu dei um abraço neles e tiramos uma foto e aquilo foi um sentimento incrível, sentir que as pessoas foram tocadas por essa coisa. E então isso é legal, mas o resto do tempo eu uso um disfarce.

“Como chapéu de Leonardo Di Caprio e óculos?” eu pergunto. Quinn dá risada.

“Parece muito estúpido e convencido, mas tem ajudado no momento, de qualquer jeito.

Admitidamente, Quinn tem encontrando consolo da tocante – e implacável – atenção que recebe, fazendo abrigo por trás do que ele chama de seu disfarce “atemporal”. Ele também encontra consolo em passar tempo com os amigos que ele considera “família” e perdendo tempo por aí em volta do seu apartamento no Sudeste de Londres, que ele divide com seu colega de apartamento. “Ele tem um trabalho muito estruturado e ele sabe quando vai ter tempo livre,” ele compartilha. Tem uma pontinha de inveja enquanto ele diz isso? “
Ele também é bem contido e limpo, e eu sou um caos. Então é bom ter esse balanço.”

O ator é rápido em me assegurar que se manter escondido ajuda ele a ganhar alguma clareza de uma realidade que é desarmadamente atordoante (bem diferente da realidade alternativa na qual ele brinca que incluiria uma carreira brotando como um “cirurgião cerebral ou um filantropo de nível platina”). Então, apesar de escapar do mundo invertido e ter seu próprio mundo virado de ponta cabeça desde Stranger Things, Quinn encontra sua felicidade, simplesmente, ainda sendo o Quinn de antes que qualquer pessoa o conhecesse como Munson.

Eu acho que o pensamento ou a noção de que eu sequer tenho fãs, é algo que eu ainda estou me acostumando,” ele confessa. “Eu acho importante entender que eles são fãs do show, e do personagem. E através disso existe uma projeção sobre mim; é algo que eu me sinto muito grato. Eu acho que nessa profissão você precisa de uma certa notoriedade para ter uma chance nesses projetos que impactam vidas. Então eu me sinto muito grato por ter tido isso através de Stranger Things, que eu acho que é uma ótima série. Eu ainda estou me acostumando com o fato de ter pessoas por aí que sabem quem eu sou. Eles são, em geral, sempre amáveis e gentis.

Enquanto sua dificuldade em compreender o alcance de seu efeito nos telespectadores pode ser cativante, a erupção de adoração pela performance de Quinn foi mais do que merecida.

E vendo sua rendição a música do MetallicaMaster Of Puppets’ no último episódio da 4 temporada, sua destreza musical foi alvo de certa atenção – até dos próprios membros da banda – “Eu fui ao Lollapalooza e passei um tempo com o Metallica no backstage e foi incrível, eles foram muito gentis e disseram coisas adoráveis sobre a série. E aí eles me pediram pra tocar com eles, o que foi muito assustador, mas aconteceu antes que eu pudesse piscar. Depois, James (Hetfield) me disse:Isso precisou de coragem!” Quinn imita em um forte sotaque americano, descrevendo a cena para mim. “Então isso foi uma experiência e tanto, tocar com eles, eles são lendas. Essa é pra contar para os netos, definitivamente.

Apesar de a realeza do heavy metal confirmar sua destreza musical, a modéstia de Quinn toma conta outra vez quando nossa atenção se volta para suas habilidades na guitarra. “Bem, eu digo que eu sou um guitarrista com leveza; Eu não toco em nenhuma banda ou algo do tipo. Eu estive em uma banda quando era criança, e adorei. A minha guitarra só junta pó agora. Eu deveria estar tocando mais. Eu comecei a tocar de novo para a série porque tinha que fazer. É uma boa parte da minha vida, mas eu não estou nem perto de ser tão bom quanto fui um dia, o que é sempre desmoralizante.” Ele admite, antes de eu mencionar para ele que seu “show” mais recente acumulou (um número de) telespectadores de fazer história.

Sugerindo que talvez ele não esteja tão enferrujado quanto ele pensa. Eu sou agraciado então com um sorriso. “Talvez, talvez, mas eu sempre poderia melhorar.

Ao invés de se gabar de seu sucesso, Quinn diversas vezes durante a entrevista é rápido em inverter nossa dinâmica de entrevistador e entrevistado, me perguntando das minhas próprias preferências musicais – junto com outras coisas – e revelando as suas. “O primeiro gênero que eu fiquei viciado foi, na minha obscura adolescência, Hip-Hop dos anos 90 da Costa Leste,” ele compartilha. “Eu caí bem fundo na toca do coelho com esse aí. Mas agora é de todos os tipos. A playlist de descobertas do meu Spotify é minha melhor amiga porque toda semana você simplesmente recebe uma injeção de música nova. E meus amigos tem um ótimo gosto também, então estamos constantemente compartilhando coisas. Música é a melhor coisa, não é? Mas e você?

Esse questionamento leva a uma não solicitada palestra sobre Harry Styles vinda de mim, durante a qual Quinn revelou que ele também é um admirador. “Eu gosto dele,” ele admite. “Ele é simplesmente meio que impossivelmente bonito, não é? Eu analiso a maneira como ele esculpiu essa coisa toda para si mesmo depois do One Direction. E ele está claramente indo bem. Eu gosto que ele tem ambições para o cinema também. Eu não o conheço, mas ele parece um cara legal,” Apesar de Harry Styles ter sido o núcleo nos seus anos de adolescência, Quinn também deixa escapar que ele também esteve em uma boyband – apesar de ter sido uma ligeiramente menos conhecida do que a de Styles. “Minha banda se chamava Black and White. Nós éramos três adolescentes de 13 anos e costumávamos tocar alguns covers em casamentos.” ele dá risada.

Confiante no fato de que, muito para nosso desagrado, a sua banda de quando tinha 13 anos não irá fazer um retorno em algum momento próximo, Quinn segue em frente para confirmar que pode haver uma versão do seu futuro que envolve música. “Eu preciso fazer alguma outra coisa,” ele ri. “Eu talvez me force a fazer porque eu admiro o Joe (Keery) e Maya (Hawke) e Jamie (Campbell Bower) e Charlie (Heaton), [o último] é um ótimo baterista. E outros membros do elenco, como o Finn (Wolfhard), que tem ambições musicais; é uma coisa muito boa de se ter além de atuar porque você tem controle total sobre isso.” O cachorro de um vizinho interrompe nosso ritmo com latidos contínuos e ele coloca nossa conversa em espera para fechar a janela do seu quarto. “É legal ter outra saída. Eu acho, criativamente,” ele reflete enquanto retoma seu lugar “Eu talvez explore isso em algum momento, mas eu não sei.”

Então, uma carreira musical talvez esteja nas cartas de um futuro distante para Quinn. Mas uma coisa em que ele está apostando com mais certeza é seu papel estrelando no lançamento como diretora de Luna Carmoon, Hoard. Um papel que ele está muito satisfeito, ainda mais por causa da sua admiração pela diretora de 24 anos do filme ter conseguido sinal verde para o projeto em uma idade tão sensível. “É uma complexa dinâmica familiar e está sendo encabeçada por essa extraordinária jovem diretora chamada Luna Carmoon, que tem 24 anos e conseguiu sinal verde para o filme acontecer. 24 anos e conseguiu sinal verde para o filme!” ele repete com admiração. “É muito insano. Tem sido produzido por Andrew Starke, junto com outros ele estava no início da insurgência de Ben Wheatley (filmmaker). Então ele é muito bom em lidar com joven talentos Britânicos. E eu acho que tem alguns maravilhosos atores no filme. Tem essa atriz chamada Saura Lightfoot Leon, que acabou de sair de RADA e Hayley Squires de I, Daniel Blake. Eu estou muito empolgado para isso. Eu acho que se deixarem a Luna fazer sua mágica, pode ser um filme realmente interessante. Eu me sinto muito empolgado por ter estado lá no início da carreira da Luna.”

Mas o que vem aí na carreira de Quinn? Onde ele se imagina em 10 anos? Talvez, com um Oscar? Uma lista de papéis inovadores?

As afirmações acima não se aplicam. Ao invés disso, o que ele deseja de verdade é muito mais terreno.

“Olivia Colman me disse uma vez, “Para ter uma carreira extraordinária você precisa ter uma vida caseira normal.” Quero dizer, ela não disse que você precisa, mas ajuda. Ela tem uma família muito adorável, ela já está com seu parceiro desde a universidade, ela tem três crianças adoráveis, uma carreira extraordinária e é uma pessoa extraordinária. Tem uma frase que é espalhada pelos negócios: “Leve seu trabalho a sério, mas nunca se leve a sério.” Isso é algo a qual me apego. Muito disso é sobre dar conta da sua vida e fazer dela o mais simples possível para que quando lhe seja dada uma oportunidade de eventualmente ir e fazer loucuras com pessoas loucas, você sente que pode. Eu acho que é sobre fixar raízes e isso é o que, nos meus próximos dez anos, eu quero fazer. Eu acho que eu quero criar uma base sólida e algumas raízes.”

Enquanto nessa aparente Segunda-feira normal nossa conversa chega ao fim, ao final o ator me revela sua rotina noturna que consiste em uma gravação, cozinhar e tomar um banho, uma coisa extraordinariamente simples para mim. Enquanto ele talvez esteja em busca do comum, Joseph Quinn é qualquer coisa menos isso.

Entrevista por Erica Rana

Fotografia por Bartek Sznigulski

Fonte: Wonderland Magazine

Matéria original cedida por josephquinnchain

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Publicado por Joseph Quinn Brasil